Descobertas assombrosas em nossa política

Mato Grosso do Sul perdeu no dia 9 motivos para invejar os magnatas enquadrados pela Operação Lava Jato. Pelas mãos da Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria Geral da União parte da casa em cujo interior há cerca de 2 anos funcionava a máquina sugadora de recursos públicos estaduais e possivelmente vinculada à corrupção na Petrobras e modeladora dos destinos da política regional aos comandos de empresas, importantes políticos e servidores estatais caiu sobre o bando na Operação Lama Asfáltica.

Do referido instante partiu devido ao esforço aplicado dali em diante pelos também antes ditos organismos guardiães da lei o impulso à revelação de verdades abrangentes ao teor das manobras com os elementos materiais e financeiros formadores de vários empreendimentos (concluídos ou com obras ainda em marcha) alimentados por quem deles faz uso e a quem interessam tais questões, dando como exemplos pavimentação de áreas de rodagem urbanas e rodovias, coleta de lixo, construção de aterro sanitário e do Aquário do Pantanal, esses dois em Campo Grande. Praticáveis casos de falhas em obras na esfera de influência do esquema – a rápida deterioração a que ficam vulneráveis as vias, os desafios ambientais e sanitários impostos a pessoas e territórios vinculados ao depósito de lixo irresponsavelmente montado com uma manta barradora do contato dos resíduos com o solo e lençóis d'água menos espessa que o ideal e os desarranjos na preservação do futuro espaço expositor de parte de nossa fauna aquática pantaneira capazes de integrarem as adversidades culpáveis pela morte de inúmeros peixes retirados do habitat para residirem no local – e outros serviços já tem sua origem certa, os gordos desembolsos com destino a elas, estimados em R$ 11 milhões, embora exista o temor do envolvimento de valores mais generosos.

A determinação dos custos com superioridade sobre o valor habitual (superfaturamento), associável com empenho em conduzir as atividades com vista em seus frutos, sofreu desvio de ângulo movido por empreiteiros, destacando-se João Krampe Amorim, dono da firma Proteco, funcionários do governo estadual, incluindo seu ex-Chefe André Puccinelli, e um representante federal nosso na parte de obras, Edson Giroto, antes secretário desta área por aqui e candidato a prefeito de Campo Grande. Quer dizer, as quantias capacitadas para completar o depósito público tornaram-se pouco para tal em razão de um buraco feito no fundo do "recipiente" por estes manipuladores buscando uma segunda via para grande cifra do montante, o consumo próprio. Mas imagina-se maior tamanho para este saco de ambições e os estragos em que teria implicado seu preenchimento devido à hipótese de os réus terem se atrelado às arruaças na Petrobras e nelas obterem êxito conseguindo um bocado da fortuna rendida pelo escândalo. Isso que as autoridades dissolveram foi uma mancha até antes muito bem impregnada no setor político sul-matogrossense pelo domínio por João Amorim de técnicas preservadoras e expansivas aos negócios do bando, o que lhes permitiu, sob manobras fraudulentas, abocanhar o Aquário dando um chega pra lá na Egelt, que trabalhava no empreendimento e poderá tê-lo devolvido, e diversas obras anteriores ao esquema.

Na gestão estadual agora em vigor, sob os comandos de Reinaldo Azambuja (PSDB), poderá ser escrito o fim das aventuras das empresas cuja credibilidade virou objeto de avaliação. Disse o governador que o Tribunal de Contas do Estado, em parceria com os demais órgãos investigativos e punitivos, encontra-se ocupado com profundos exames nos contratos com as firmas suspeitas interessando-se no ganho de condicionamento para tomar decisões que não impactem ninguém fora do alvo – nós todos, no papel de cidadãos –, palavras que, assim, deixaram de se resumir a tal. A trilha oposta é seguida pela Prefeitura de Campo Grande com a persistência em manter estes colaboradores cuidando de seus serviços, órbita por onde virão rumo a Gilmar Olarte e aliados as recompensas pela teimosia se não recuarem, reforçada pelo indisfarçável caos na saúde, educação e ordenamento urbano relativamente vinculado ao modelo de ações criadoras do marco zero disso tudo, a cassação por improbidade administrativa em março de 2014 do prefeito titular Alcides Bernal, de quem Olarte ficava como vice. O verdadeiro intuito dos vereadores que votaram pela derrubada do chefe na posse do cargo direcionado às causas de quem os põe e sustenta no poder perdeu as camuflagens quando revelada, por análises em amostras ("grampos") em conversas telefônicas de membros do bando, a literal compra do desfecho por eles ao manipular os legisladores com agrados em espécie.

O percurso das averiguações avança no mesmo sentido que o montante de lama asfáltica demandado para tapar a cratera que terá transposto as fronteiras da gestão pública regional, indo aonde muitos já puseram a mão. Entre o vazio financeiro ou o mau gerenciamento a que estão possibilitados de se expor a saúde, educação, segurança e infraestrutura urbana e rodoviária em nosso território com o encaminhamento dos recursos a serem neles investidos para segundos fins legalmente condenados por terem beneficiários restritos e os entraves ao desempenho das tarefas diárias domiciliares e profissionais devido aos prejuízos no trabalho da Petrobras referente ao beneficiamento do petróleo e sua conversão em combustíveis e outros insumos constituíra-se um relacionamento "justo" com a possível parcialidade da sua fonte vir de representantes nossos. Negando a Justiça mesmo com as fortes evidências da necessidade vagas no xadrez para os desordeiros de alta classe, natural será ela deixá-los fugir às barreiras no retorno a disputa por seus cargos, restando a todos nós o fechamento da catraca. Será, no entanto, que a memória coletiva, importante para efetivar o bloqueio, vai manter as lembranças guardadas até as próximas eleições estaduais e federais, para o bem de nossas escolhas? A recondução do ex-presidente Fernando Collor à cena política, desta vez como senador, e frutas do mesmo pé sinalizam a resposta cabível ao calibre da. educação ao nosso povo dada e à correspondida amplitude intelectual de grande soma desta massa, estando em primeiro plano nas metas de tal contingente o mergulho nos prazeres banais alimentados pela mídia sem correr atrás das condições favoráveis ao bem-estar garantidor do bom uso do direito.

(Neste domingo tive exte texto publicado no jornal virtual i9, de Campo Grande, por um amigo. http://www.jornali9.com/noticias/descobertas-assombrosas-em-nossa-politica)

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