Solo pouco consistente para tão grande e diversa pressão

O rio Madeira, em um trecho que atravessa Porto Velho, sede administrativa estadual rondoniense, já está se livrando mediante ajuda humana de uma inteira estrutura laboral antrópica que uma de suas margens, não suportando-a, atraiu para o leito, por sorte sem produzir vítimas entre nenhuma espécie de ser vivo. Em via contrária à impressão de tarefa cumprida, os danos que residências na terra firme em volta sofreram são o retrato de que a natureza retribuiu um vasto e crônico leque de desaforos.

A noite daquele sábado, 13 de agosto, começou com estímulos à preocupação popular quanto à chance de vidas humanas terem desembocado no leito urbano do rio após um desbarrancamento de um porto para fluxo de cargas que operava às margens dele em um trecho na rua Belizário Pena, bairro Triângulo. O imaginário comum pôde caminhar até esse ponto tendo base na extensão da área seriamente erodida – suficiente para acolher mais de 10 caminhões, algumas motocicletas, uma caminhonete, materiais de escritório, um container onde o mesmo possivelmente funcionava e ferramentas diversas para trabalhos externos – e nos relatos de moradores adjacentes que sentiram o chão tremer no momento do sinistro. Horas depois do início de buscas em meio à desordenada mistura de basicamente sucata e terra com o suporte de policiais que mantiveram distantes inoportunas ou mesmo prejudiciais movimentações de pessoas e veículos, a Defesa Civil e os bombeiros desabilitaram os fatores de alarme com a declaração da ausência de vítimas.

Em nenhuma forma de vida a massa de terra que desfez sua organização predecessora sequer "relou", embora trabalhadores estivessem presentes no porto pouco antes de ele vir a baixo. Ainda é tempo de minorar a propensão a eventos deste quilate, cujo peso não precisa ser majorado por efeito de saldos fúnebres. Por abranger também a inteireza do bem-estar mental – além da estabilidade financeira, nem de longe único determinante da mesma –, o extravio irremediável de vidas tem na permissão derivada de negligências um afastamento ainda maior em relação aos níveis de tolerabilidade mínimos recomendáveis ao povo na lida com erros dos representantes públicos e grandes influenciadores privados. Este limite envolve os danos a recursos individuais ou de coletividade restrita destinados ao alento por pessoas ou grupos de suas vitais necessidades ligadas ao trabalho, transporte e moradia, significando isso no específico caso as avarias praticamente totais nos veículos cargueiros e particulares de empregados do porto ou empresas parceiras, as perdas de insumos do próprio estabelecimento e deficiências estruturais adquiridos por casas próximas após o desastre, com implicações a seu potencial de abrigar os ocupantes com segurança.

O possível uso da área por parte dos responsáveis pelo porto fluvial sem cuidados significantes com o perfil argiloso do solo – a cujas marges uma enchente do Rio Madeira em 2014 teria agregado sedimentos, materiais com não mais plena firmeza – lhes põe à frente o enorme prejuízo envolvendo temores a respeito de sua própria ordem financeira e da de seus associados. O convênio com seguradoras, se firmado e pago com disciplina, e/ou o envolvimento em demais negócios podem abrandar, quiçá anulando gradativamente, tal peso sobre a consciência que ante os gestores estaria recaindo. Os governantes do município, estado e do país a salvo estão de uma queda abrupta na chegada de receitas a seus cofres com a perda deste fornecedor por ainda existirem tantos, compreendendo cidadãos e empresas, dos quais também não se cobra pouco. Persistirá em quantidades gerais o envio desta massa às instâncias estatais a quem compete obter o pão e partí-lo entre o povo em coincidência com as necessidades de cada ramo de demanda.

Manter-se vigilante e ativo com imparcialidade na persuasão de empreendimentos empresariais rumo a seu empenho nas prudências ecologicamente indispensáveis. Educar as principiantes gerações guiando-as à sabedoria e ganhos materiais em quantias que permitam-lhes acesso à casa própria sem desrespeitar fronteiras entre desenvolvimento urbano e reverência para com a natureza. Considerando o muito que todos nós, pessoas físicas e jurídicas, arrecadamos as estruturas governadoras, a escassez de repasses pelo menos é aparente na maior parte do Brasil a despeito da crise financeira, nascida e pouco bem enfrentada com a desonestidade de parte dos líderes políticos e da ingerência ocupacional de outros. É possível, entretanto, constituir um ponto de fuga deste caminho hoje sem saída. Garantias aos servidores públicos eletivos ou não de que saibam o que fazer com os montantes que passam por eles (nos moldes dr projetos educacionais cujo início foi acertado entre autoridades do governo estadual de Alagoas, por exemplo), já!

(Referências:
http://www.rondoniagora.com/noticias/limpeza+em+porto+de+desbarrancou+no+rio+madeira+ja+estao+quase+concluidas+2016-09-16.htm

http://www.rondoniagora.com/noticias/defesa+civil+monitora+area+onde+barranco+cedeu+com+12+carretas+e+uma+camionete+em+porto+velho+2016-08-14.htm

http://www.rondoniagora.com/noticias/desmoronamento+na+capital+afeta+abastecimento+de+aguau+caerd+estuda+desvios+2016-08-15.htm

http://www.rondonoticias.com.br/noticia/policia/24848/laudo-feito-pelo-cprm-aponta-as-causas-do-acidente-com-carretas-no-rio-madeira

http://www.newsrondonia.com.br/noticias/comboio+de+carretas+caem+durante+desabamento+no+bairro+triangulo+ha+caminhoneiros+desaparecidos/78903

http://www.oobservador.com/noticia/11549/

http://www.correiodosmunicipios-al.com.br/2016/09/seplag-e-escola-de-contas-publicas-assinam-acordo-de-cooperacao-mutua/

http://www.tribunahoje.com/noticia/191896/cidades/2016/09/23/seplag-assina-acordo-de-cooperaco-com-escola-de-contas-publicas.html

http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticia/item/9052-seplag-assina-acordo-de-cooperacao-com-escola-de-contas-publicas)

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